Aborto

Fase crítica. Tramando e estando entre tramóias estou. Parece confuso? Então você já sabe como me sinto.

De um lado, a vontade de simplesmente esquecer tudo, fingir que nada aconteceu e voltar a sorrir com os “meus amigos”. De outro lado, a vergonha, a cara no chão, a vontade de não levantar a cabeça para olhar nos olhos das pessoas que sabem o quão imunda eu posso ser às vezes.

Entre uma batalha e outra, vou recuperando minha dignidade. Volto a dar valor às coisas simples da vida, que no auge da minha “vidinha perfeita” eu acabei deixando de lado. Buscando cada vez mais o eu, os valores (que em alguma época da vida deixei que se dissolvessem, mas que eu tenho certeza que estão aqui em algum lugar). A verdadeira essência da vida. Essência esta que seja livre de idéias alheias pré fabricadas pré formadas, livre de preconceitos, onde as pessoas se conhecem pelo que são, e não pelo que aparentam ser.

O que me define não é meu nome, nem meu estereótipo. Talvez você entenda 99% das mulheres (ou acha que entende), mas você não vai me entender, porque eu estou além disso, mais do que mulher, eu sou um ser. Não faço xixi sentada porque sou mulher, e sim porque foi o jeito mais fácil que consegui de fazê-lo. Não é porque todas as mulheres são donas de casa que também vou ser. O que não quer dizer que eu não seja um dia. Mulheres e homens “são iguais em desgraça”. Mas infelizmente os modos de agir devem ser diferentes, porque a sociedade o impôs assim. E qualquer atitude que fuja dos padrões impostos pela sociedade são discriminados. Nós nascemos com nosso futuro todo traçado pela sociedade, né? e não podemos fugir do mesmo.

Já pensei que o justo mesmo seria Deus nunca ter permitido que eu nascesse. Maldita praga que Ele pôs no mundo para estar nos momentos errados nas horas erradas nos lugares errados. Para estar no meio de mundos que não são meus. Alterar momentos que não são meus e não poderiam ser alterados. Pensei também que uma boa solução seria não promover a espécie, não colocar filhos no mundo. Por que fazer sofrer um ser tão inocente, trazê-lo para cá apenas para ser uma continuação de mim, realizar nele meus sonhos, meus projetos inacabados, para viver angustiado, assim como hoje eu estou, para sofrer, para fazer sofrerem as pessoas que mais ama?

Mas como eu posso privar minha descendência do sofrimento impendindo-a de nascer? Me diz. Nada é mais injusto do que impedir que alguém conheça o mundo. Como eu posso, no intuito de não fazer um ser sofrer, impedí-lo de nascer, de passar por tudo o que um dia eu passei, de receber os conselhos que um dia eu recebi e ignorá-los, assim como um dia eu fiz?

Quem não nasce não tem o direito de de errar e de recomeçar quantas vezes forem preciso. E de refazer os mesmos passos dos pais, mesmo sendo geraçõs diferentes. Não tem o direito de formar opinião, seja ela boa ou ruim. Não intervém de maneira positiva nem negativa no mundo. Simplesmente não existe.  Existem pessoas que se não existissem na minha vida, não iam fazer a mínima diferença, mas o fato de elas terem aparecido um dia e me cativado (por mais erros que tenham cometido) prova o quão sem graça seria minha vida sem elas. E o pior, eu nem saberia disso.

Bendito foi o dia em que Deus me pôs no mundo. E te pôs no mundo. Por mais filhos-da-puta que sejamos, colaboramos de algum jeito para um projeto maior do que nós. Cada erro, cada burrada, cada gesto de carinho, cada ‘eu te amo’ que se diz, não é em vão e tem muito peso no universo em que vivemos.

O que eu busco está em mim e ao mesmo tempo vai além de mim. Eu busco a sinceridade suprema. Busco força para levantar depois de cair, busco as palavras certas para passar adiante o que eu já vi e já vivi, busco um dia poder conhecer a alma e essência das pessoas apenas num olhar. Busco pessoas em quem eu possa confiar minha vida, sem nenhum medo. E que eu possa retribuir a tamanho gesto de fidelidade. E eu pretendo sempre estar buscando, porque eu posso até chegar perto de minhas conquistas, mas eu nunca vou conseguir alcançar 100% de nenhuma delas em momento algum da minha vida. E é isso que faz com que minha vida tenha sentido, é essa eterna busca, porque a realização de sonhos é movida pelas buscas, e sempre que realizamos um, já temos outro maior ainda. É uma eterna busca para não perdermos o sentido de viver. Para termos sempre uma motivação que nos faça acordar com o pé esquerdo e mesmo assim colocar um sorriso no rosto e seguir de cabeça erguida.

” Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.”

Agora imagina se eu nunca tivesse nascido…

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