Maracanã, Riocentro e um sábado badalado

“Vou pro Barra Show sexta? Não, melhor não. Melhor ficar em casa e dormir. No sábado tem peça na igreja, preciso descansar para estar preparada.” Ela às vezes falava as coisas a si própria em voz alta. Depois olhava em volta para ver se ninguém tinha visto. Ainda não estava louca. Talvez fosse ficar em breve. Ensaio na sexta. Ela foi. Os atores principais mandaram recadinhos porque não poderiam mais participar da peça. E agora? “Faz o principal, você consegue.” Não. Era muito cedo para ser protagonista. Ela ainda não sabia tudo o que precisava saber.

No dia seguinte já saiu atrasada, o que já era de se esperar. Se atrasava para tudo. Fez a peça. Foi um sucessão. Emendou com uma minipalestra com seus amigos para aqueles quase adolescentes.

Porque se revoltou com seus pais antes de sair de casa, decidiu arriscar e ir apenas com o dinheiro que tinha no bolso: R$ 10. Era sábado. Dia de Bienal do Livro e dia de jogo do Vasco no Maracanã.

Giovanna era vascaína, tinha seus 17 anos recém adquiridos e aquela era a primeira vez que ia para o Riocentro sozinha. Seu medo de se perder naquela quase viagem era incrivelmente grande, mas precisava se arriscar. Se pensasse muito, não teria nem saído de casa naquele dia.

Foi de pé. Assim começou sua jornada naquele ônibus (268: Praça XV- Riocentro). Logo adiante, engarrafamento. De repente, um ônibus surge ao lado do seu. Era preto e branco, enorme. Vidros fumê. Foi passando por eles, e muito de perto, cerrando bem os olhos, ela viu alguns homens lá dentro. Percebia-se de longe que não eram homens comuns. Tinham um porte físico sensacional. E passou por eles. Os carros à frente abriam caminho para sua passagem. E de longe ela pôde observar a frase escrita no lado direito do ônibus que acabara de passar por eles: “O sentimento não pode parar”.

Sumiu em meio a multidão de carros que se formava em volta do Maracanã aquele dia.

Depois de quase duas horas naquele ônibus, finalmente chegou ao tão esperado Riocentro, onde estava tendo Bienal do Livro 2009. Quase jogou pãezinhos para marcar o caminho, tamanho o medo de se perder na volta. Mas não o fez. Preferiu usar a memória.

Logo na entrada, foi fotografada por uma série de câmeras que disputavam um famoso desconhecido por ela. Chegou pelo pavilhão laranja. Deu uma volta e seguiu para o azul, onde ouvia gritos e tinha uma aglomeração em frente: atores de Bela, a feia estavam presentes no stand da Panini. Ela não achava graça nenhuma naquilo tudo, mas sentiu necessidade imensa de chegar perto para tentar uma foto.

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E conseguiu

Depois dessa necessidade dispensável, foi quase pisoteada em meio a multidão, mas conseguiu seguir adiante. Mais à frente passou por repórteres da Globo e pessoas querendo aparecer na reportagem. Passou por vários stands interessantes. No da Rocco, viu Talita Rebouças dando autógrafos em seus livros, que ela felizmente teve a oportunidade de ler quase todos.

Ela é realmente linda. E tem um talentosinho.

Foco na Thalita

Perguntou por Flicts¹ num stand, onde uma senhora lhe informou que estava exatamente onde estava Ziraldo.

Ainda bem que não entrou na fila de autógrafos. O bom velhinho estava bastante concorrido.

Ainda bem que ela não entrou na fila de autógrafos. O bom velhinho estava bastante concorrido.

Viu um livro que já tinha lido num stand e foi lá vê-lo, sem perceber que a autora estava ali. Ganhou autógrafo e de quebra tirou uma foto pro site com ela, Angélica Lopes.

Já estava megafeliz, quando foi surpreendida por um rapaz que trabalhava num stand, querendo acompanhá-la. Queria ir em sua casa, queria seu telefone, já se sentia íntimo. Nessa hora ela pensou em todas as pessoas bizarras que devem existir no mundo. Se seu pai a visse naquela situação ia querer bater no cidadão, que por sinal parecia meio pancadinha das idéias. Se livrou então do pobre coitado e foi direto para o Mulher e ponto. Ouviu uma palestra sensacional de uma psicóloga de casais. O que isso tinha a ver com uma garota de 17 anos? Nem ela sabia. Mas foi fascinante.
Quando olhou o relógio, já marcava 20h. “Como o tempo passou rápido.” Essa era hora combinada com seu pai para sair de lá. Se demorou ainda mais uns minutinhos e se foi, deu fim à sua jornada daquele sábado. Mas com a certeza de que muitas aventuras sensacionais se aproximavam.

¹ Ela vai fazer uma participação na peça Flicts, que vai ser apresentada por seu grupo de teatro, Cativarte. Por isso ficou tão deslumbrada.

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