Liberdade

Parece clichê, e é.

Clarice, a tão atualmente famosa Clarice Lispector, define liberdade como palavra que o sonho humano alimenta. Segundo ela, ninguém a pode explicar. Mas também não existe ninguém que não a compreenda. Ernesto Rafael Guevara de la Serna, nosso conhecido Che, deixou para a posteridade a seguinte consideração acerca da liberdade: “Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar.” E por fim, vou citar George Orwell, que, em 1984 (o livro), escreveu: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.”

Ok. E o que tudo isso tem a ver com a minha vida? Minha mesmo, Nathalia, que escreve. Hoje voltando para casa estive pensando nos padrões. Aqueles que nós, adolescentes queremos fugir de qualquer maneira e aos quais acabamos sempre acorrentados. Quando entrei na faculdade, de Comunicação, tinha outra cabeça. Mas isso não é novidade. Nós estamos sempre em constante mudança, como bem disse Heráclito há uns muitos e muitos anos. Mas eu diria que quando começamos uma graduação, há uma mudança drástica em nossas ideologias. Primeiro adquirimos uma postura completamente diferente da de ensino médio. E pode espernear quem quiser, mas esta é uma verdade. Até quem menos se interessa pelas aulas tem que ter uma postura diferente. A regra é outra. São textos atrás de textos e você percebe que se não acompanhar você vai ficar eternamente preso em conceitos boçais.

Segundo, passamos a enxergar o mundo pelo lado avesso. Pelo menos em comunicação. A gente sabe o que rola “detrás da tela da TV” quando começa um noticiário. Sabemos o que é um OFF. E começamos a enxergar o noticiário ou o programa de rádio como objeto de estudo. É como se nós estivéssemos do outro lado da tela passando aquelas informações para nós mesmos.

Por fim, entendemos o que a publicidade vem fazendo com nossas vidas. Sim, porque somos manipulados pela publicidade (Oh!). Sei que não é nenhuma novidade. Todo mundo que estudou Sociologia pelo menos uma vez na vida no coleginho sabe disso. Mas na graduação temos exemplos muito claros e muito “na cara”. Chega a ser assustador. Não que eu queira te assustar.

Enfim chegamos à liberdade. O que ela tem a ver com tudo isso? Agora é só parar para pensar: estamos incluídos num sistema, numa certa sociedade, com certa cultura. E por mais que fujamos e procuremos outras formas de viver, daqui a pouco haverá uma legião de fãs copiando este estilo de vida e então será outro modo de viver padronizado. Não há escapatória. Uma vez que você nasceu em qualquer meio social, se você se excluir você não encontra um sentido para viver, e não vive. Acaba morrendo. De verdade.

E então, eu pergunto: você é livre?

Não sejamos radicais, nossa mente é e sempre será livre. E, sendo livre, pode inventar qualquer outro significado para liberdade. E você será o que pensar que seja: livre.

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Uma opinião sobre “Liberdade

  1. Fantástico o texto e concordo veementemente quando fala na mudança de nossa ideologia. Você pensa que sabe muito, e cada vez mais descobre que é um concreto ignorante. E quanto a questão dos bastidores, também concordo. Passamos a ver tudo de uma outra forma, se colocando no lugar dos que estão por trás e na frente das câmeras. E pra quem acha que Comunicação se resume em saber falar, mal sabe que é muito mais pensar do que agir. Adorei o texto.

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