Montanha-russa

Quando você decide fazer um sacrifício, talvez não calcule os danos antes de começar. Na verdade, ter uma mente racional nunca foi muito o meu lance. Meu dom é um pouco diferente e sigo me metendo em furadas por não saber calcular quanto vou ter que me sacrificar de fato em cada situação. É engraçado como planejamos e queremos tanto certas coisas, com tanta intensidade, que acabamos não deixando a vida seguir seu rumo natural. Nós interferimos no destino. E aí as coisas desandam. Talvez tivessem que desandar mesmo pra você mudar o ritmo da dança, ou trocar os ingredientes da receita. Fazer diferente pra encontrar onde está o erro. Não sei. Talvez tudo tenha que desandar pra chegar no prumo de novo. “Desde que minha vida saiu dos trilhos sinto que posso ir a qualquer lugar.” Quem disse foi Zack Magiezi, um dos meus poetas atuais favoritos. E talvez um dos poucos atuais que eu conheça.

Talvez não. Talvez você tenha sonhado tanto com a PUC, que se esqueceu de pensar nos danos psicológicos que ela te causaria, danos talvez irreparáveis. Quem sabe? Uma vez que a gente escolhe um caminho, perde de vez a chance de conhecer o que tem nas outras opções. Que agora nem são opções. Algumas coisas não vida realmente não são opcionais. A morte não é. De repente você está na sua festa de casamento e cai com o copo no bolso, corta uma veia vital e morre. Ou você saiu do colégio, foi comer no restaurante em frente e um botijão de gás explodiu exatamente no momento em que você entrou. Há ainda, e é claro, os casos mais suaves de falta de opção como, por exemplo, quando você ama alguém e não é correspondido. Isso, alguns dizem, é pior do que a morte. Porque pelo menos a morte, na maioria das vezes, sabemos que não foi uma escolha. Uma rejeição segue rasgando a alma todos os dias. E mesmo nos dias felizes, ela está lá, quem sabe um pouco escondida, mas está lá.

A gente aceita. Mas se conformar é um pouco mais forte. Acho que a cada vez que olhamos pra alguém que nos rejeitou, nossa alma morre um pouquinho. No final, tudo o que resta é uma aura cinza, ou uma obra de arte externa, que machuca também quando sai. Que está ali gravada e talvez seja eternizada. Fica sendo lembrada e apreciada por séculos suficientes pra uma alma nunca mais conseguir descansar em paz.

Dizem que crescer é difícil, que se tornar adulto exige muito de nós e que nunca estamos preparados. É verdade. Mas já experimentou um coração partido? Cada vez é diferente e te tira um pouco a vontade de continuar vivendo. Leva parte da sua esperança, da sua felicidade (que um dia já existiu, sim, é verdade), da certeza de que tudo pode dar certo. Mas é claro que aparecem outros amores, e por cinco segundos os dias tomam cor de novo, sua risada se afrouxa, e mesmo com um pé atrás e toda aquela mágoa, você resolve tentar de novo – afinal, somos seres humanos e o que faremos senão tentar de novo? Mas só dura o tempo da paixão. Aos poucos você sente tudo aquilo escorrer pelos seus dedos sem poder fazer nada pra trazer de volta. A vida é essa eterna montanha russa: três segundos no topo, um minuto direto em queda, um minuto de subida difícil. E segue…

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Há escolhas que nos trazem espelhos. E nem sempre gostamos do que vemos refletido neles.

 

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