Ideologia! Eu quero uma pra viver

É, às vezes a vida toma rumos diferentes do que esperamos. Diferentes do que queremos. Diferentes do que achamos que precisamos. Mas vai contrariar a vida? Tem que ler nas entrelinhas. E caso a gente não consiga, o jeito é esperar pra ver.

Os sinais a gente recebe a cada instante, seja num filme sobre a vida do Cazuza ou num enjoo que acontece por acaso. Seja por uma dor forte, no pé ou no peito. Agora, que diferença faz? Vai contrariar a vida? Se você não sabe ler nas entrelinhas… Melhor nada fazer. Deixa o tempo mostrar o que vem. E se algo mais vem. Eis a profecia.

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

O que o céu te diz?

Adeus

2810a5d7a5696db2209c71852889dffd664105d8– A sua benção, mãe.

– Deus te abençoe, meu filho. Juízo.

É só mais uma noite de sábado, daquelas em que você diz até logo, pede a benção e tem certeza absoluta de que vai voltar. Uma breve ausência.

Não me recordo de ter dito “adeus” nessa vida a ninguém. Às pessoas que eu deveria, eu não o disse. O adeus é a palavra do após. É uma palavra que dizemos a nós mesmos para tentarmos entender que alguém se foi. De vez.

Eu não disse adeus quando Thamires foi morar em Fortaleza, nem quando Joanna foi morar no Paraná. Não disse adeus quando voltei de São Paulo e deixei minha tia lá. Ela se foi, mas o adeus não foi dito. Eu não disse adeus quando terminei meu único namoro, muito menos quando vi minha tia Tereza pela última vez.

Talvez o adeus seja um consolo doloroso. Uma palavra que nunca queremos, mas acabamos pronunciando muitas vezes depois da hora derradeira, depois da despedida de fato. Porque não há muito mais o que dizer. A nós mesmos, podemos dizer que não fomos bons o suficiente, que poderíamos ter dado nosso melhor. Podemos dizer “eu te amo”. A nós mesmos. Depois que alguém se vai de nossas vidas para sempre, não há nada mais que possamos dizer a este alguém. Mesmo que você encontre todos os dias, e troquem sorrisos, não há nada a ser dito. Porque no momento em que a pessoa te deixa, é para sempre. E você sabe que tudo o que tinha para dizer, o deveria ter dito antes do adeus. Que também não foi dito.

TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO

Acho difícil que consigamos conviver com as despedidas. Quando amamos alguém, aquela pessoa se torna parte de nós, parte do nosso coração. E se essa pessoa se vai de nossas vidas, por motivo qualquer que seja, ela deixa um vazio. O lugar que ocupava não pode ser ocupado por mais ninguém. Por mais nada. E há os que mentem para si mesmos, tentando se consolar com a desculpa de que o tempo cura tudo, quando o tempo na verdade nada cura. O tempo torna mais suportável, o tempo te permite pensar em alguém sem chorar, te permite viver outras experiências, e sorrir outra vez. Mas o tempo nunca te dará o alívio do esquecimento. Nunca.

É um fardo pesado. Saber que você vai acordar de manhã e se lembrar do “bom dia”, que vai reconhecer aquele olhar em um ator de cinema qualquer, mesmo passados anos… Mas não pode ser em vão. A dor está presente como uma lembrança. Uma lembrança de algo que vivemos, que nos marcou de alguma forma, nos fez ser quem somos, nos fez crescer, ou simplesmente nos ensinou a fazer diferente. A dor da perda não cessa, mas pode ser que esteja ali para nos lembrar que existem outras tantas dores maiores no mundo, e nos tornar mais humanos, mais solidários…

Não que alguém mereça a dor de uma perda. Mas esse vazio que fica, pode ser preenchido de outras formas. Se a gente procurar de verdade, com vontade, há muuuuuuita gente nesse mundo, com muito para preencher um coração. Há muitas crianças sem pais, carentes de afeto. Muita gente precisando de um ombro amigo, um conselho, uma conversa. Tem muitos animais sofrendo, precisando de um lar, muitos lares precisando de voluntários. Quanta possibilidade nesse mundo! A vida, me parece, se resume ao lugar onde você está, e que vista você tem, estando neste lugar. Muitos chamam de ponto de vista. Claro que a dor não vai passar, mas SEMPRE há uma possibilidade de transformar a dor em algo de bom. Até para que se possa levar a vida adiante.

Neste blog eu escrevo a minha vida. E é claro que eu já tive perdas, que para mim foram irreparáveis. Mas quando falei da questão de olhar para os problemas dos outros, me referia a mim mesma. Hoje, em 29 de janeiro de 2013, quando paro para pensar em todas as perdas que tive na vida, vejo que não se comparam às das famílias de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Acho um absurdo que qualquer pessoa pública, mídia, veículo de comunicação e até mesmo as pessoas que vou chamar erroneamente de comuns – porque todo mundo tem suas particularidades -, não tenha interrompido ao menos por um momento, por um minuto, seus sorrisos, em solidariedade às famílias dessas crianças que faleceram no incêndio da Boate Kiss.

Eu acredito que todo o Brasil, cada pessoinha, tenha filhos, filhas, amigos, primos, conhecidos, que têm a idade daqueles jovens. Logo, não tem como não haver comoção. Não tem como não imperar a tristeza. O mais tocante de tudo, para quem está de longe, é quando nos colocamos no lugar daquelas pessoas: as que tentaram fugir e acabaram sufocadas, as que foram pisoteadas, as que perderam amigos, as que ajudaram, as que perderam filhos, as que perderam filhas, as que perderam irmãs, os bombeiros que socorreram. Eu poderia ser uma daquelas crianças ali, você poderia. Acho que diante disso, não há como não se comover. Não há como não prestar uma homenagem, ainda que singela. Ainda que um minuto de silêncio, ainda que um post.

Às família dessas vítimas desta fatalidade triste, minha homenagem, solidariedade e orações.

Que o abraço do mundo, que hoje se comove, possa confortar, ainda que de uma forma mínima, este sofrimento pelo qual estão passando.

(Foto: http://www.luzdaserra.com.br)

Eu me apaixonei pela pessoa errada

“Eu não tenho culpa de estar te amando
De ficar pensando em você toda hora
Não entendo por que deixei acontecer
Isso tudo me apavora

Você não tem culpa se eu estou sofrendo
Se fantasiei de verde esta história
Você tem namorado posso até estar errado
Mas tenho que ganhar você”

(Exaltasamba)

Acredito que quem escreveu esta música nem imaginava a quantidade de pessoas que passa por isso diariamente. A gente reza o tempo inteiro para se apaixonar, para gostar de alguém, e ser correspondido. Mas esquecemos de falar para o cupido sobre as restrições. E ele sai fazendo loucuras por aí. Ele faz com que você encontre a pessoa ideal. Aquela que você olha e já diz “sim” com cara de idiota. Mas dois segundo depois você descobre que a sua “alma gêmea” namora há 6 anos. Ou é casada e tem dois filhos. Esse tipo de coisa é o que te faz passar noites em claro pensando: “E se eu o tivesse conhecido há um ano?” E a resposta fica em aberto, porque você nunca saberá…

SE É AMOR?

Duvido muito. Talvez seja aquela tal de paixão, aquela coisa que faz você tremer de pensar que vai encontrar a pessoa depois de um desentendimento, que faz você se arrumar mais do que o normal para ir onde você sabe que ela vai estar e te faz sorrir no meio da rua lembrando do quanto ele(a) é bobo(a). Mas o mais incrível mesmo, é como você se sente um(a) adolescente de novo. Tudo por causa do friozinho na barriga. O mundo só cai mesmo quando você lembra que é platônico. Praticamente impossível. Ó mundo cruel.

Claro que passa. O tempo é ligeiro e logo trás outros dias para substituir os passados. Mas enquanto não muda, a gente fica pensando e pensando e pensando… Talvez se fosse diferente, não fosse tão bom. Às vezes eu penso que somos apaixonados mesmo é pelo perigo, pelo desafio. Pela sensação de estar “burlando as regras” só por diversão. Por minutos de diversão.

FUGINDO DO VAZIO

É uma pena que nem só de diversão viva o homem. Pena mesmo que a gente precise tanto de raízes, de algo em que se apegar.

Foi o tempo em que a diversão vinha em primeiro lugar. Agora a vida mostra que há muito mais em que pensar. Muito mais com o que se preocupar. Chega uma hora que as consequências dos nossos atos ficam cada vez mais pesadas, mais duras de encarar. E nessas horas, é melhor usar a cabeça. Nosso coração é mole, se deixa conquistar fácil. Um sorriso bonito, um abraço apertado. Não precisa de muito para satisfazer um mole coração. Mas acho que justamente para fazer um contra-ponto, existe nosso cérebro.

Eu acho que razão e emoção deveriam andar juntas. SEMPRE. Um “brigando” com o outro o tempo inteiro. Porque se a gente é só razão, nossa vida fica vazia. Mas se a gente é só emoção, fica vazia também. Por mais que os sentimentos transbordem, podem ser sentimentos ruins como tristeza e solidão. Quando razão e emoção dialogam, decidem, juntas, qual é o melhor momento e a melhor pessoa por quem se apaixonar. E se vale a pena investir. Com isso evitamos muitas decepções e fugimos de uma vida sem sentido.

PARECE PERFEITO, MAS NÃO É

Depois do leite derramado, que se faz? Aqueles olhos brilhantes, que de algum jeito te atraem muito. E ao mesmo tempo são um convite perigoso. Só de olhar você já quer saber mais, quer estar mais perto. Aqueles olhos parecem enxergar o fundo da sua alma, parecem fazer um raio-X completo dela. E você ali, parado, querendo fazer parte, ainda que de forma bem modesta, daquele mundo escondido por aquele olhar. É difícil conter um sentimento assim. É difícil não querer viver isso todos os dias. Parece que a vida perde todo o charme quando aqueles olhos não estão por perto. Observando, devorando.

Às vezes a vida é só querer. Mas depois de um tempo a gente descobre que quase tudo é providencial. Quando é pra ser, é. Quando não é pra ser é experiência.

Almas afins

Há pessoas com quem temos uma afinidade incrível. E o mais interessante é que não é necessário nenhum esforço. É um compartilhamento do mesmo sentimento. Vocês se veem duas vezes e já se gostam, mesmo que não tenham dito nenhuma palavra. E dizer as primeiras é bem fácil. Porque você sabe que aquela pessoa quer o mesmo que você.

Talvez eu esteja contando uma história que acontece o tempo inteiro no mundo, com muita gente. Mas é só uma tentativa de colocar em palavras esse momento em que percebemos os olhares de cumplicidade, nos damos conta que somos íntimos de alguém que é desconhecido e, na mesma hora, percebemos que um dia, seremos mais do que isso.

Há coisas nessa vida que eu descreveria como mágicas. E que não são nenhum efeito visual produzido por um programa qualquer de computador. A vida está o tempo todo à nossa volta, esperando para ser vivida. Se não colocarmos os cabelos ao vento, nunca descobriremos este mundo de pessoas com quem nós temos afinidades explícitas (e implícitas). Abandonemos velhos paradigmas que nos fazem acreditar que temos que viver para sempre ao lado de uns e deixar outros de lado: os tempos são outros! Precisamos aceitar que hoje uns se vão e não voltam e outros chegam, vão, chegam de novo e nunca saem das nossas vidas. O que eu sempre defendi aqui neste blog e que pretendo continuar defendendo, são almas que vibram em mesma sintonia. E é disto que este post fala. Almas que se juntam por um ideal em comum e que criam ideais em comunhão, só para não perderem de vista aquela pessoa que tem ao lado e que querem que ali permaneça.

Escrevi isso hoje, porque reconheci uma dessas almas afins na presente data. E acabei me lembrando de tantas outras que, por sorrisos ou reclamações, ou paixões partilhadas, acabaram tornando-se meus amigos.

Tempestade (de ideias!)

“Vou pro Barra Show sexta? Não, melhor não. Melhor ficar em casa e dormir. No sábado tem peça na igreja, preciso descansar para estar preparada.” Ela às vezes falava as coisas a si própria em voz alta. Depois olhava em volta para ver se ninguém tinha visto. Ainda não estava louca. Talvez fosse ficar em breve. Ensaio na sexta. Ela foi. Os atores principais mandaram recadinhos porque não poderiam mais participar da peça. E agora? “Faz o principal, você consegue.” Não. Era muito cedo para ser protagonista. Ela ainda não sabia tudo o que precisava saber.

No dia seguinte já saiu atrasada, o que já era de se esperar. Se atrasava para tudo. Fez a peça. Foi um sucessão. Emendou com uma minipalestra com seus amigos para aqueles quase adolescentes.

Porque se revoltou com seus pais antes de sair de casa, decidiu arriscar e ir apenas com o dinheiro que tinha no…

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‘E aí, vida que segue’

Eu tive um professor que passava a metade da aula falando esta frase. Porque debatíamos sobre os problemas ambientas do Rio de Janeiro. Mas, ao mesmo tempo em que sua disciplina versava sobre a proteção do meio ambiente, ele era (e ainda é) Engenheiro Civil (e não Engenheiro Ambiental) e trabalhava projetando obras para a prefeitura. Contraditório? “Vida que segue”.

Ao mesmo tempo em que nos preocupamos questões nobres em algumas áreas da vida, em outras nós largamos mão de tais questões. E aí, vida que segue.

E a vida segue seguindo e não para. O cotidiano nos invade o tempo inteiro com seus vistos e imprevistos. Temos que dar conta do trabalho do emprego, do trabalho da faculdade, do trabalho do curso e ainda precisamos reservar um tempo para os amigos, que jamais vão entender o ritmo de vida que temos. E a gente consegue. Ainda arranja tempo para aprender edição de som e imagem e para tocar um blog. Namorar é para os fracos!

Em novo formato

Não como as revistas, que mudam completamente o estilo (de texto e layout). Até porque eu falo sobre a vida, mas vira e mexe enfio no meio disso tudo um texto sobre ergonomia, ou coisa assim. Coisa técnica, que não tem nada a ver. Mas esse é um blog para o nada a ver também. Não mudei o formato dos textos porque eles já seguem linhas diferentes. Mas, talvez por causa da experiência que estou tendo de escrever mais textos jornalísticos, você perceba algumas mudanças sutis também na forma da escrita.

Aqui eu trato de qualquer assunto. Se amanhã eu acordar com vontade de falar de moda, falarei. Apesar de que dificilmente isso irá acontecer. Eu prefiro deixar este assunto para os mais experientes.

Mudei o background do blog. É uma experimentação. Acabei fazendo no facebook um link para a página, então por enquanto o estilo será esse mesmo. Até porque o link que fiz no facebook tem a ver com o background. Quem já viu, sabe. Achei que tem a minha cara e espero que você também se identifique, seja você menino, menina, menina que é menino ou vice-versa. Mas você sempre terá a opção de não gostar. Nesse caso, escreve um comentário aqui em baixo que a gente negocia isso.

A minha tristeza foi não ter conseguido incluir o espaço para pesquisa dentro do blog, nem as RSSs que ficavam ali no cantinho, na direita. Mas eles estão no fim da página, láaaa em baixo. Se você clicar em “End” no seu teclado, você vai direto neles.

Clique “End” e veja os outros recursos da página

No mais, continue acompanhando o blog, porque você é a razão de viver dele. E não se esqueça: A vida segue, não perca tempo. Se você tem um projeto, comece hoje e trabalhe para que se concretize. Não há nada melhor. Este blog é um dos meus melhores projetos. E o único que comecei faz tempo e dei continuidade. Porque eu amo isso tudo aqui!

capa facebook

Minha atual foto de capa no facebook, com link para o blog

Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado.
É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue.

Clarice Lispector

Como planos para o futuro se esvaem

Mais cedo, conversando com a minha best friend forever, cheguei à conclusão de que não temos o controle de coisa nenhuma. Hoje eu planejo tirar a carteira de motorista, fazer um intercâmbio no fim do ano que vem, morar sozinha muito em breve e escrever para uma revista que eu adoro. Mas veja bem: Quem sabe se amanhã não vou conhecer alguém que me vire a cabeça?

Minha amiga hoje planeja morar com o namorado e fazer uma Previdência. Incrível como no começo do ano os planos eram outros. Completamente diferentes. Isso só me faz pensar que um detalhe muda tudo. Claro que o namorado não é um mero detalhe. Mas, se pararmos para pensar, descobriremos que há uns 5 anos certamente não sabíamos que estaríamos aqui, deste modo, vivendo esta vida.

Existe um site bem legal chamado FutureMe, que permite que mandemos um e-mail para nosso eu do futuro. Já citei este site aqui no blog antes. O bacana dele é que toda vez que recebo algum e-mail da Nathalia do passado, me surpreendo. Tem coisas de que nem me lembrava. Decepções amorosas de que hoje acho a maior graça. Realmente, tudo passa.

E de quem é o meu futuro?

Acho que o mais importante que podemos fazer por nós mesmos, é pensar muito agora no que queremos para os próximos 20 anos. Ou 15, ou 5. E o que queremos para o próximo mês. Tudo isso é muito importante. Voltando ao início, quando falei que pode surgir alguém em minha vida hoje, é digno dizer que dependendo de quem for, a pessoa pode querer que eu mude os planos. Todos os planos. E a decisão de mudar ou não caberá somente a mim. Eu preciso saber exatamente onde quero estar daqui a 3 anos. Porque assim, eu vou direcionar todas as minhas escolhas do presente a este objetivo. Vou escolher para estar ao meu lado alguém com os mesmos sonhos e objetivos, alguém que eu sei que pode me ajudar a alcançar meus sonhos. Ooou, vou decidir ficar sozinha, porque tem muita coisa que eu planejei somente para mim, como a casa com os 3 cachorros lindos e o carro na garagem. Só meus.

Não é egoísmo, é amor próprio

Velhos clichês explicam muita coisa. Não é à toa que são repetidos tantas vezes até ganharem o título de “velhos clichês”. Eu não diria, por exemplo, que o fato de eu querer morar sozinha seja um ato de egoísmo para com meus pais. Creio que a necessidade de todo ser humano seja a liberdade. Eu posso ir morar num apartamento do lado da casa dos meus pais. Mas o fato de eu ter a minha casa, o meu carro e meus cachorros, permite que eu faça as regras.

Lembrando que o ar que respiramos muda o tempo todo, estejamos em cima ou em baixo…

A gente estuda tanto, trabalha tanto, para ter autonomia, para poder chegar em casa de madrugada, levar o namorado, ficar sozinha pra pensar, usar o banheiro de porta aberta e andar pelados pela casa. E isso não é egoísmo, é necessidade de privacidade, de tempo, de espaço. É poder escolher de que lado da casa vai ficar a TV. E pagar as próprias contas. Se a mamãe morar na casa ao lado, melhor ainda…

Afinal, somos do mundo

Quem nunca ouviu aquela frase “os pais criam os filhos para o mundo”, que atire a primeira pedra. Você pode ter se espantando com tudo o que eu disse acima, mas cabe explicar. Este mundo, o que tem de incrível, tem de imprevisível. Me perdoem somente por nunca ter passado pela situação que agora vou dizer. Mas espero que não julguem, porque sabemos que é uma grande verdade: Queridos, não adianta ficarmos para sempre agarrados à ideia de que temos pai e mãe que vão durar para sempre e de que nada nos vai faltar. O mundo às vezes é cruel. Meu pai com seus 12 anos de idade perdeu o pai, o provedor. AVC. Minha prima, na época com 14 anos e um filho recém nascido, perdeu a mãe. Câncer. E o mundo nos arranca o tapete o tempo inteiro. Portanto, nada mais digno e saudável do que estarmos preparados para uma reviravolta, e a reviravolta da reviravolta e para se caso o mundo vire de cabeça para baixo. Os planos mudam, a vida muda. A cada instante, o tempo inteiro. E a cada mudança nos obriga a refazer os planos para o futuro…

Arco Ìris

Tem coisa que é refúgio. Tem pessoa que é morada. Tem momento que é mágico. Arco íris. Grandioso, único, lindo e surpreendente. Além disso, imprevisível.

Hoje talvez eu queira filosofar. A gente está sempre incluído numa rotina tão árdua. Não no sentido de difícil, mas sim de rápido, de veloz. Passamos por uma margarida sem nos darmos conta de como aquele amarelinho nos faz bem. É cenário, é background. E mesmo assim faz bem. De qualquer forma, é como sentir o cheiro do chocolate: é delicioso, mas não se compara ao saborear. É preciso tempo! É preciso desembrulhar o chocolate e provar. É preciso dar atenção e se deter ao passar pela flor.

Sei que se você para o mundo corre e te deixa pra trás. Mas mais importante do que estar em dia com a Apple, sempre com o celular atual, mais importante do que estar em dia com a rede social do momento, é o próprio momento. E o que é o momento? Estamos esquecendo a resposta a esta pergunta tão simples. Está se dissipando em nossa memória, como todo o resto. Como aquele amigo do colegial que você avista na rua e baixa os olhos para não cumprimentar, como a lembrança da sua primeira paixão, como o gosto dos doces de São Cosme e Damião que a gente passava o dia buscando. E como era divertido! Mas já não podemos nos lembrar do arco íris: não há tempo.

Não tenho intenção nenhuma quando escrevo tudo isso. São minhas impressões de mundo. Quisera eu ter tempo de me deter ao passar pela orquídea em frente a um condomínio no Leblon. Escrevo porque não sinto mais aquele frio na barriga quando beijo alguém. Não me apaixono como me apaixonava antes. Não tenho tempo de me prender a nada. O mundo pede que eu seja livre. Queria acordar de manhã e ir bem cedo ver o sol nascer na praia todos os dias. Mas compromissos, textos, aulas, trabalhos, inglês, projetos, livro e ufa! Sobra tempo para dormir, ainda bem. O mágico é não saber quando o arco íris vai aparecer. Assim, teremos sempre uma surpresa. Algo que vai alegrar o dia e que, com sorte, conseguiremos contemplar.

Que a vida seja de arco íris para nós. E que eles nunca deixem de ser o que são: reais e incríveis.

fonte: http://tn.temmais.com/noticia/5/33461/dez_familias_ja_foram_retiradas_do_bairro_sao_camilo_em_jundiai.htm

Em meio a tanto cinza…

(Dedicado ao meu leitor mais antigo – e amigo-, Ghabriel.)